O adolescente brasileiro sabe o que a internet faz com ele. Metade passa mais tempo online do que gostaria. Para 49%, a criatividade caiu por causa da rede. Mesmo assim, só 9% preferem que ela deixe de existir: 71% querem que continue, mas mude. Os dados são da pesquisa Adolescência Sem Filtro, do Instituto Alana com a agência Koga.
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A consciência ainda não virou ação. Só 19% acreditam que conseguem ajudar a construir uma internet melhor. E 69% aceitam ajuda de pais, escola, plataformas e leis para lidar com a rede. “O jovem vai conseguir e vai ter esta mudança, o olhar está começando. Mas a orientação dos pais ainda continua sendo indispensável”, diz a psicóloga Alessandra Lara.
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Muitos já agem: 44% bloqueiam contas ou conteúdos, 37% denunciam perfis e 32% fazem pausas. Só 12% não fazem nada. Falta companhia nesse esforço. Em casa, metade diz que os pais não colocam limite de tempo de tela. Continue e confira a reportagem completa.
| ALESSANDRA LARA, PSICÓLOGA
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Para 78% dos adolescentes, o dia online soma ao menos três horas, e 48% ficam cinco horas ou mais. A rede serve para socializar, estudar, descobrir cultura e se conhecer melhor.
Meninas usam mais para conversar (64% contra 50%) e estudar (60% contra 46%). Meninos, para jogar (66% contra 44%).
Diversão (71%), felicidade (63%) e curiosidade (55%) lideram as sensações. Essa alegria vem das conversas, e os jovens já escolhem com quem falam.
O custo aparece na outra ponta: cansaço (27%), raiva (23%) e ansiedade (22%). Em dois anos, 41% passaram a se sentir mais dependentes do celular. A mesma fatia acha que perdeu sono, e 39%, tempo de estudo.
A maturidade ajuda. Para 66%, a relação com a internet melhorou nos últimos dois anos, e 57% sentem mais controle.
EM CASA E NA ESCOLA
Para 54% dos jovens, os pais não regulam o conteúdo que eles acessam.
Na escola, só 35% sentem que a restrição ao celular mudou a relação com a internet. E 44% pedem educação para entender melhor a rede.
Para combinar regras com o adolescente, vale a referência da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP): de duas a três horas de tela por dia nessa idade, nada de celular nas refeições e desconexão de uma a duas horas antes de dormir.
“É de extrema importância que os pais continuem com todo o controle parental para saber o que seu filho acessa e o tempo que fica conectado”, reforça Alessandra.
Fora da tela, 53% dos jovens valorizam mais hoje os momentos presenciais. Para as famílias da Volvo, a AV reúne atividades esportivas, lazer e uma ampla área verde.
O QUE DIZ A LEI
A Lei 15.100 restringe o celular nas escolas desde janeiro de 2025. Pesquisa do MEC com 8.189 escolas mostra que 92% já aplicam a regra, e a proibição em todos os espaços, recreio incluído, saltou de 20% para 48%. Em março de 2026, entrou em vigor o ECA Digital.
A lei exige verificação confiável de idade, veta publicidade direcionada a menores e design que manipula o uso, com a ANPD na fiscalização.
No Congresso, o PL 94/2026, que veta redes sociais a menores de 16 anos, aguarda parecer com outras 23 propostas.
Lá fora, a Austrália proíbe redes sociais a menores de 16 anos desde dezembro de 2025, e as plataformas já desativaram ou restringiram mais de 5 milhões de contas.
Na França, o Parlamento aprovou o veto aos 15 anos, mas a regra ainda não é definitiva. Ao menos 13 países aprovaram, anunciaram ou discutem medidas parecidas, como Dinamarca (15 anos), Espanha e Alemanha (16) e Áustria (14).
Fontes principais: Adolescência Sem Filtro — Instituto Alana e Koga, Agência Câmara e Sociedade Brasileira de Pediatria
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