O cérebro trabalha sem parar. Cada informação que recebe, cada decisão que toma, cada memória que forma exige energia e deixa resíduos. Por isso, um cérebro bem cuidado impacta toda a saúde do corpo.
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No Brasil, 1,8 milhão de pessoas convive com demência, segundo o Ministério da Saúde. A projeção é que, até 2050, esse número pode chegar a 5,7 milhões. A boa notícia: controlar fatores de risco previne casos de demência.
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“Alimentar-se bem, atividade física regular, sono adequado e interação social são fundamentais. São os quatro pilares para um cérebro saudável”, afirma o neurologista Elcio Juliato Piovesan. Continue e confira a reportagem completa.
| ELCIO JULIATO PIOVESAN, NEUROLOGISTA
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O dano começa quando essa interação vira sobrecarga. Hoje, informações rápidas e superficiais chegam sem parar. O cérebro tem dificuldade de processar. “Há conflito entre informações e isso sim é deletério”, alerta o neurologista.
A sobrecarga pode trazer distúrbios do sono, depressão, ansiedade e aumento do consumo alimentar. “Uma rotina equilibrada de trabalho, atividade física, alimentação, convívio social, familiar. Esse é o segredo da vida e é simples. São atitudes que dependem de escolhas diárias. Mas dentro dessa simplicidade as pessoas tendem a complicar”, diz Piovesan.
PRIMEIRO PILAR: O SONO
“O sono é importantíssimo. É como uma poupança, que você todo dia está depositando um pouquinho”
| ELCIO JULIATO PIOVESAN, NEUROLOGISTA
O neurologista explica que, durante o sono, fazemos a limpeza das toxinas que o cérebro produz para processar o bombardeio de informações que recebe durante o dia. “Essas toxinas são, literalmente, retiradas do nosso cérebro durante o sono”, explica o médico.
Quando se limpa o cérebro do jeito adequado, você previne doenças como Alzheimer, depressão e ansiedade. Para dormir bem, evite dispositivos eletrônicos antes de se deitar. “Evite também cafeína em abuso, principalmente no período próximo ao sono”, recomenda Piovesan.
SEGUNDO PILAR: O EXERCÍCIO
“A fisiologia muscular está intimamente ligada com a fisiologia cerebral”
| ELCIO JULIATO PIOVESAN, NEUROLOGISTA
Quando fazemos atividade física, produzimos uma proteína que ajuda a limpar o cérebro. A proteína é a irisina, que vai fazer com que você tenha sono de melhor qualidade. Pesquisadores brasileiros da Universidade Federal do Rio de Janeiro descobriram que a irisina protege a região cerebral essencial para memória e aprendizado. A proteína estimula o crescimento e a sobrevivência de neurônios. Também reduz a inflamação cerebral.
A Organização Mundial da Saúde recomenda pelo menos 150 minutos de exercícios por semana — cerca de 30 minutos por dia em cinco dias. Pessoas que se exercitam regularmente apresentam melhor desempenho em testes de memória e maior volume da região cerebral responsável pelo aprendizado.
TERCEIRO PILAR: ALIMENTAÇÃO
“O processo inflamatório sistêmico pode facilitar a demência”
| ELCIO JULIATO PIOVESAN, NEUROLOGISTA
Existem alimentos que favorecem a inflamação, e não em todo mundo, mas na grande proporção das pessoas. Principalmente os com glúten e o excesso de lactose.
O mesmo vale para muita carne vermelha, gorduras, frituras, que podem favorecer uma hipertensão arterial. “E hoje a hipertensão arterial é a tempestade perfeita”, alerta o neurologista.
“O alimento, indiretamente, favorece a hipertensão arterial e distúrbios metabólicos como diabetes, componentes extremamente importantes nesse processo de degeneração cerebral”, conclui Piovesan.
O Alzheimer está ligado muito ao diabetes, à hipertensão, ao tabagismo, à síndrome da apneia obstrutiva do sono e a quadros de depressão. Tratar essas condições precocemente diminui o risco de desenvolver demência.
QUARTO PILAR: VIDA SOCIAL
“Uma atividade social é fundamental. Tenha horários de lazer. Funciona muito bem”
| ELCIO JULIATO PIOVESAN, NEUROLOGISTA
A interação social mantém o cérebro ativo. Manter relacionamentos, participar de atividades em grupo e ter conversas significativas estimula o cérebro e reduz o risco de depressão. A solidão, ao contrário, acelera o declínio cognitivo e aumenta o risco de demência.
Aprender um novo idioma, tocar um instrumento musical ou praticar jogos de estratégia estimula a capacidade do cérebro de criar novas conexões — um fenômeno chamado neuroplasticidade. Esse processo permite que áreas saudáveis assumam funções de regiões danificadas. É a base da aprendizagem e da memória.
QUANDO A MEMÓRIA PREOCUPA
“Declínio cognitivo é quando o esquecimento prejudica as suas atividades diárias”
| ELCIO JULIATO PIOVESAN, NEUROLOGISTA
O médico explica que esquecer onde colocou uma chave, por exemplo, é normal. O declínio cognitivo é quando a dificuldade de memória começa a interferir nas suas atividades. “Esquece onde deixou o carro, esquece o nome de pessoas, de compromissos, isso é preocupante”, diferencia o neurologista.
O declínio cognitivo pode ser causado por duas coisas. Pela senescência, que é o envelhecimento natural do ser humano — isso faz parte. A outra é a demência. “Como se diferencia da senescência? A demência é rapidamente progressiva”, esclarece Piovesan.
Fontes principais: neurologista Elcio Juliato Piovesan, Ministério da Saúde, UFRJ e OMS
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