A menopausa é o marco natural da vida feminina que encerra a fase reprodutiva. Cerca de 30 milhões de brasileiras vivem essa fase.
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A menopausa é a data da última menstruação. Já o climatério é definido pela Organização Mundial da Saúde como o período de transição da fase reprodutiva para a não reprodutiva. Começa por volta dos 40 anos e pode se estender até os 65. A perimenopausa, fase que antecede a menopausa, dura em média de quatro a seis anos e é quando os sintomas se intensificam.
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A expectativa de vida das brasileiras chegou aos 80 anos. Isso significa que as mulheres passarão quase metade de suas vidas no período que a menopausa desencadeia. Por isso, informação e tratamento adequado fazem toda a diferença para viver essa fase com saúde, autonomia e qualidade de vida. Continue e confira a reportagem completa.
| STELLAMARIS RENUZZA, GINECOLOGISTA E OBSTETRA
Mas o processo começa antes com a perimenopausa, ou climatério.
Nessa fase, os ovários reduzem progressivamente a produção dos hormônios femininos — estrogênio e progesterona. O declínio do estrogênio é o principal responsável pelos sintomas e pelas mudanças que a mulher experimenta.
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OS SINTOMAS
Os sinais da perimenopausa aparecem antes da menopausa e exigem atenção.
“Os principais, que a paciente fica mais atenta, é a irregularidade menstrual, o calorão e o cansaço excessivo. E também falhas de memória. Eu tento me lembrar de uma coisa, naquele momento não vem, mas daqui a pouco eu começo a me lembrar de novo. Isso é muito comum na menopausa”, detalha Stellamaris.
Os dados mostram o peso desses sintomas. Um estudo brasileiro publicado em 2024 na revista científica Climateric, que entrevistou 1.500 mulheres entre 45 e 65 anos, revelou que 73,1% das brasileiras sentem sintomas climatéricos no período entre a pré-menopausa e a menopausa. Na pós-menopausa, esse número sobe para 78,4%.
Outro levantamento indica que 82% das mulheres nessa faixa etária apresentam sintomas que comprometem sua qualidade de vida.
As ondas de calor, ou fogachos, são relatados por 75% das mulheres. Outras queixas incluem secura vaginal, dor nas relações sexuais, insônia, irritabilidade, ansiedade, depressão, dores articulares e incontinência urinária. A fadiga e as palpitações também fazem parte do quadro.
“Ao primeiro sinal de alerta sobre os sintomas, o mais importante é primeiro procurar o seu ginecologista de confiança”, recomenda a médica.
TRATAMENTO INTERDISCIPLINAR
A boa notícia é que a menopausa tem tratamento eficaz, que combina diferentes estratégias para melhorar a qualidade de vida.
“O tratamento da menopausa é interdisciplinar. Primeiro, uma boa alimentação aliada a atividade física, uma das melhores formas de prevenir os sintomas. Melhora muito o funcionamento cerebral também”
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A alimentação saudável, rica em cálcio e vitamina D e pobre em gorduras saturadas, é fundamental. É importante evitar cigarros e consumir álcool e cafeína sem excesso.
A atividade física regular traz múltiplos benefícios. Os exercícios ajudam a aumentar a densidade óssea, a massa muscular, melhoram o metabolismo e promovem perda e controle do peso. Também reduzem dores musculares e diminuem os riscos de fraturas, quedas, diabetes, osteoartrose, infartos e acidentes vasculares.
Entre os 25 e 50 anos, as mulheres perdem cerca de 10% de massa muscular. Dos 50 aos 80 anos, esse percentual sobe para 30%. Os exercícios de força — musculação, pilates — são aliados para amenizar essa perda e garantir autonomia futura.
ESTIMULAÇÃO COGNITIVA
As terapias cognitivas também integram o tratamento. “As opções são variadas. Vai desde um trabalho manual, um quebra-cabeça, até aprender um novo idioma”, explica Stellamaris.
A médica dá dicas simples. “Tem várias técnicas também que a gente ensina o paciente. Por exemplo, se você é destra, comece a usar um pouco mais a mão esquerda para fazer pequenas coisas. Pentear cabelo, escovar os dentes, pegar alguma coisa. Também estimula o lado oposto do cérebro.”
REPOSIÇÃO HORMONAL
É outra ferramenta importante. “É indicada para paciente sintomática e assintomática. A mulher não tem sintoma, mas quando você analisa os exames, tem uma diminuição de massa óssea, colesterol elevado, risco cardiovascular. Já é sabido que a reposição hormonal dá uma proteção cardíaca”, esclarece a ginecologista.
O tratamento hormonal é mais efetivo quando começa na chamada “janela de oportunidade” — preferencialmente nos primeiros anos após a menopausa. Quanto antes começar a terapia, mais benefícios e menos riscos.
A reposição alivia os sintomas vasomotores, melhora a qualidade do sono, fortalece os ossos, previne osteoporose e oferece proteção cardiovascular quando bem indicada.
Mas existem contraindicações. “Contraindicação absoluta: paciente que tem o histórico de câncer de mama, que teve trombose ou doença hepática. E tem algumas outras condições relativas. É preciso conversar com a paciente a respeito dos riscos e benefícios do tratamento”, alerta Stellamaris.
“O tratamento de reposição hormonal deve ser muito bem conversado com a paciente, sobre os riscos e os benefícios, para a mulher se sentir segura, sentir que realmente está fazendo algo que vai trazer benefícios”
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Fontes: Ministério da Saúde, Revista Climateric, Organização Mundial da Saúde e IBGE
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