Envelhecer com qualidade de vida exige mais do que cuidar apenas do corpo. A saúde mental na terceira idade depende de propósito, conexões sociais e uma rotina que inclui atividades físicas e boa alimentação.
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Especialistas revelam que solidão e isolamento representam riscos tão graves quanto doenças crônicas.
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Dados mostram a urgência do tema. Até 2050, cerca de 30% da população brasileira terá mais de 60 anos, segundo o IBGE. E a depressão já é o transtorno mental mais frequente nessa faixa etária. Cerca de 13% das pessoas entre 60 e 64 anos sofrem com a doença no Brasil. O cenário exige olhar atento para aspectos que vão além da saúde física. Continue e confira a reportagem completa.
| DEBORA LOPES, GERIATRA
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Para a médica, um motivo para acordar todos os dias ajuda a viver bem. “Ninguém vive sem se sentir útil, sem ter algo que te motive. A gente vive também das emoções”, afirma.
A ideia de ter um propósito claro ganha força quando se olha para lugares onde as pessoas vivem mais e melhor. “A gente vê isso de forma bem evidente nas cidades conhecidas como as Zonas Azuis. Um exemplo é Okinawa, no Japão. Lá existe um senso de comunidade muito grande”, conta a médica.
Na cultura japonesa, o conceito de ikigai – razão de viver, ou propósito de vida – guia os idosos. Eles não conhecem a palavra “aposentadoria” no sentido ocidental de parar completamente.
As pessoas continuam ativas, trabalham no que gostam e se sentem parte importante da comunidade.
“A população idosa não é só ela e a família. Faz parte da comunidade, é importante como alguém que tem uma história”, diz a geriatra.
O PESO DA SOLIDÃO
“A gente vive numa sociedade. É importante cultivar as amizades ao longo da vida para não estar sozinho na velhice”
| DEBORA LOPES, GERIATRA
A geriatra vai além dos cuidados tradicionais com o envelhecimento. “Hoje em dia a gente valoriza o que se chama de capital social. A gente não só tem que fazer uma poupança, cuidar do corpo, mas também cultivar as pessoas que vão estar do meu lado nessa fase da vida.”
O isolamento social e a solidão aparecem como vilões silenciosos do envelhecimento. Estudos mostram que esses fatores aumentam o risco de depressão, ansiedade e declínio cognitivo entre idosos. A perda de familiares e amigos próximos, as dificuldades de mobilidade e as mudanças de rotina após a aposentadoria contribuem para o afastamento social.
A falta de vínculos sociais pode comprometer a qualidade de vida e acelerar processos de adoecimento. Por outro lado, o fortalecimento das redes de apoio familiar e comunitário exerce papel fundamental na promoção da saúde mental.
SER ÚTIL E TER SIGNIFICADO
“Se sentir útil e ter um propósito na vida é muito importante. São pilares essenciais para a saúde mental”
| DEBORA LOPES, GERIATRA
Para a médica, “é importante buscar um sentido e um valor que faça você ser feliz.”
Grupos de convivência, atividades em comunidade e programas de voluntariado aparecem como estratégias eficazes para se manter ativo e integrado. Clubes, cursos e projetos sociais ajudam a combater o isolamento e oferecem senso de pertencimento.
EXERCÍCIOS FÍSICOS, OS ALIADOS
A prática de atividade física se consolida como pilar central para um envelhecimento saudável. As diretrizes da Organização Mundial da Saúde recomendam de 150 a 300 minutos de atividade aeróbica de intensidade moderada por semana, além de dois dias de exercícios de força e equilíbrio.
A médica explica que, quando somos jovens, a vida é naturalmente mais ativa. “Com o envelhecimento, deixa de fazer. Por isso é importante programar, criar uma rotina de atividade física. Porque sem ela há um prejuízo muito grande para a saúde muscular.”
Os benefícios vão além do corpo. A atividade física reduz sintomas de ansiedade e depressão, melhora a autoestima e diminui sentimentos de solidão.
Exercícios regulares ajudam na manutenção da memória, atenção, concentração e raciocínio. Também reduzem o risco de demência, como o Alzheimer.
Dados da plataforma Tecnofit mostram crescimento de mais de 50% entre 2022 e 2023 no número de idosos que se matriculam em espaços para atividades físicas. A musculação ganha força entre os mais velhos. Treinos adaptados e bem orientados podem transformar a vida de idosos, que ganham mobilidade, autonomia e qualidade de vida.
Mesmo pequenas mudanças fazem diferença. Estudos apontam que 20 minutos de caminhada semanais já geram benefícios cardiovasculares, cognitivos e melhoram o humor. O importante é manter o corpo em movimento.
ALIMENTAÇÃO QUE NUTRE
A nutrição adequada completa o tripé da qualidade de vida. “É preciso comer bem e comer certo para não ter carência de nutrientes, o que é mais grave após os 60 anos”, alerta Debora Lopes.
Após os 60, o corpo processa nutrientes de forma diferente. A dieta deve incluir mais proteínas – carnes, leite, derivados e leguminosas – porque o organismo absorve esse nutriente com mais dificuldade. Frutas e verduras são essenciais, já que até 60% dos idosos podem apresentar deficiência de vitaminas.
O cálcio merece atenção especial para prevenir osteoporose. Leite, queijos, iogurtes e folhas verdes escuras são boas fontes. As fibras ajudam o intestino a funcionar bem e estão em frutas, legumes e cereais integrais. E a hidratação não pode ser esquecida: pelo menos dois litros de água por dia.
O CAMINHO PARA O BEM-ESTAR
Envelhecer com qualidade exige olhar integral. Corpo, mente e conexões sociais caminham juntos. As experiências das Zonas Azuis mostram que comunidades unidas, com propósito claro e hábitos saudáveis, vivem mais e melhor.
No Brasil, o desafio é grande. A população envelhece rápido, mas as políticas públicas e o olhar da sociedade ainda precisam se adaptar. Famílias, profissionais de saúde e comunidades devem trabalhar juntos para garantir que essa fase da vida seja digna, alegre e com bem-estar.
Envelhecer não é apenas viver mais anos. É viver esses anos com significado, saúde e conexão com o mundo ao redor.
_ ESPECIAL SAÚDE MENTAL
Estamos publicando este ano aqui na editoria VOAM uma série de seis reportagens sobre saúde mental.
1 CRIANÇAS A importância da saúde mental na infância. Clique aqui e confira
2 ADOLESCENTES Saúde mental em tempos de redes sociais. Clique aqui e confira
3 HOMENS Desconstruindo a masculinidade sem falha. Clique aqui e confira
4 MULHERES O equilíbrio entre múltiplas tarefas. Clique aqui e confira
5 APÓS OS 60 Como envelhecer com qualidade de vida
E não perca a próxima
6 TRABALHO Saúde mental no ambiente corporativo
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