Homens são educados para suprimir emoções, resolver problemas sozinhos e jamais admitir fraqueza. Essa educação cobra um preço alto.
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Dados da OMS, a Organização Mundial da Saúde, revelam que homens têm mais chances de morrer por suicídio que mulheres, com taxas globais de 12,6 por 100 mil homens em comparação com 5,4 por 100 mil mulheres. Os números brasileiros revelam gravidade similar. Dados do Ministério da Saúde revelam que, do total de mortes autoprovocadas entre 1996 e 2017, quase 8 em cada 10 foram de homens.
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A pressão social molda comportamentos desde a infância. Frases como “seja homem”, “engole o choro” e “homem que é homem não reclama” constroem uma armadura emocional que depois se torna uma prisão. Buscar ajuda profissional não é admissão de fraqueza, mas demonstração de força, responsabilidade consigo mesmo e com quem se ama. Continue e confira a reportagem.
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A cultura impede os homens de falarem sobre suas emoções porque desde sempre isso não foi permitido a eles. Essa barreira dificulta que busquem ajuda quando precisam”
| ADRIANA ABAGGE, PSICÓLOGA
O ambiente de trabalho intensifica essa pressão. Muitos homens enfrentam expectativas sociais de serem provedores principais, líderes naturais e solucionadores de problemas. O estresse profissional se soma às responsabilidades familiares e sociais.
A Associação Brasileira de Psiquiatria e dados do Ministério da Saúde destacam que existe uma cobrança social para que homens sejam bem-sucedidos financeiramente. Quando isso não acontece, surge a sensação de inadequação e fracasso. Muitos desenvolvem ansiedade e depressão em silêncio.
O estigma em torno da saúde mental masculina tem raízes culturais profundas. O relatório “Masculinidades e saúde na região das Américas” da Organização Pan-Americana da Saúde, mostra que a sociedade associa masculinidade à força física e emocional. Buscar ajuda é visto como admissão de fraqueza.
Isso está errado. Buscar ajuda é autocuidado.
Dados do Ministério da Saúde indicam que homens brasileiros vivem, em média, 7 anos a menos que as mulheres. A Organização Mundial da Saúde alerta que 1 a cada 5 homens nas Américas não chegará aos 50 anos de idade devido a comportamentos de risco à saúde relacionados com modelos tradicionais de masculinidade.
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O sofrimento é inerente ao ser humano, não importa o sexo, mas não é preciso sofrer sozinho. Buscar ajuda de um profissional que não vai te julgar em um lugar seguro e acolhedor é um caminho muito mais saudável”
| ADRIANA ABAGGE, PSICÓLOGA
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Alguns sinais indicam quando é hora de procurar ajuda profissional, segundo orientações do Ministério da Saúde e da Associação Brasileira de Psiquiatria:

Muitos homens desconhecem o papel da psiquiatria na saúde mental. Segundo o Conselho Federal de Medicina (CFM), a psiquiatria é a especialidade médica que trata transtornos mentais, emocionais e comportamentais. O psiquiatra é um médico capacitado para diagnosticar e tratar condições como depressão, ansiedade, transtorno bipolar e outras doenças mentais.
A Associação Brasileira de Psiquiatria esclarece que a especialidade não é destinada apenas a casos graves. É medicina como qualquer outra área. Assim como se procura um cardiologista para cuidar do coração, busca-se o psiquiatra para cuidar da mente.
O tratamento pode incluir medicamentos, psicoterapia ou uma combinação de ambos. O psiquiatra trabalha frequentemente em parceria com psicólogos para oferecer cuidado integral.
O Conselho Federal de Psicologia explica a diferença entre as profissões: o psiquiatra é médico e pode prescrever medicamentos, enquanto o psicólogo trabalha com terapia e técnicas psicológicas. Os dois profissionais se complementam no tratamento.

A Organização Mundial da Saúde recomenda estratégias simples para homens cuidarem da saúde mental:
Reserve tempo para si mesmo. Mesmo 15 minutos diários fazem diferença. Pode ser uma caminhada, leitura ou simplesmente respirar profundamente.
Pratique exercícios físicos. A atividade física libera endorfinas, que melhoram o humor e reduzem o estresse. Não precisa ser academia – uma caminhada já ajuda.
Cultive relacionamentos. Mantenha contato com amigos e familiares. Conversas sinceras fortalecem vínculos e oferecem apoio emocional.
Estabeleça limites no trabalho. Defina horários para desconectar.
Procure hobbies. Atividades prazerosas reduzem o estresse e proporcionam momentos de relaxamento.
Durma bem. O sono adequado é fundamental para a saúde mental. Estabeleça uma rotina de sono regular.
Fontes: Organização Mundial da Saúde, Ministério da Saúde, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Organização Pan-Americana da Saúde, Conselho Federal de Psicologia, Associação Brasileira de Psiquiatria e Conselho Federal de Medicina
_ ESPECIAL SAÚDE MENTAL
Estamos publicando este ano aqui na editoria VOAM uma série de seis reportagens sobre saúde mental.
1 CRIANÇAS A importância da saúde mental na infância. Clique aqui e confira
2 ADOLESCENTES Saúde mental em tempos de redes sociais. Clique aqui e confira
3 HOMENS Desconstruindo a masculinidade sem falha.
E não perca as próximas
4 MULHERES O equilíbrio entre múltiplas tarefas
5 DEPOIS DOS 60 Como envelhecer com qualidade de vida
6 TRABALHO Saúde mental no ambiente corporativo
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