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emergências climáticas

Soluções avançam enquanto eventos extremos batem recordes

Brasil e o mundo enfrentam a década mais quente da história ao mesmo tempo que cresce investimento em tecnologia e prevenção contra os extremos do clima

publicado em 8 dez 2025

O ano de 2024 entrou para a história como o mais quente desde que começaram os registros modernos. A temperatura média global ficou 1,55°C acima dos níveis pré-industriais. E 2025 já registrou cinco ondas de calor no Brasil até novembro. 

 

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Mas há uma boa notícia: a tecnologia do clima acelera e o investimento em prevenção cresce. Sistemas de alerta, monitoramento expandido e planejamento urbano avançam em todo o mundo.

 

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Governos, empresas e comunidades já trabalham em um arco amplo de soluções. O Brasil, por exemplo, já monitora 1.133 municípios em tempo real e quer chegar a 2.095 até 2026. O sistema Defesa Civil Alerta foi usado mais de 400 vezes desde agosto de 2024. Simulados de evacuação treinam milhões de pessoas. Continue e confira a reportagem.

O Brasil registrou 10 eventos climáticos extremos em 2024, segundo a Organização Meteorológica Mundial. 

 

Três deles foram classificados como sem precedentes: as chuvas no Rio Grande do Sul, a seca na Amazônia e a onda de calor na região central.

 

As enchentes do Rio Grande do Sul se tornaram o pior desastre climático do país, com 600 mil desalojados e R$ 8,5 bilhões em perdas agrícolas. Estudos do World Weather Attribution mostram que as chuvas intensas foram duas vezes mais prováveis devido ao aquecimento global.

 

O Pantanal viveu a pior seca em 70 anos. Entre agosto e setembro, 2,3 milhões de hectares queimaram, 15,6% de toda a área do bioma. A Amazônia também sofreu com uma seca histórica.

 

As ondas de calor atingiram todo o país. Em agosto, em pleno inverno, várias cidades registraram temperaturas acima de 41°C.

 

2025 CONTINUA A TENDÊNCIA

O Brasil enfrentou cinco ondas de calor este ano. Em fevereiro, as temperaturas no Rio de Janeiro chegaram a 44°C e mandaram mais de 3 mil pessoas para emergências com estresse térmico.

 

No início de novembro, um tornado atingiu Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná. Foram 7 mortos e 700 feridos. No último fim de semana de novembro, chuvas intensas castigaram 33 municípios do Vale do Itajaí, em Santa Catarina.

 

Rio Bonito do Iguaçu após o tornado. Foto AEN

 

O MUNDO TAMBÉM SOFRE

Globalmente, 2024 foi preocupante. O calor extremo adicionou 41 dias de temperatura perigosa para a saúde em todo o mundo. O nível do mar subiu em média 4,7 milímetros por ano entre 2015 e 2024. Glaciares perdem massa no ritmo mais alto já registrado.

 

O World Weather Attribution estudou 26 fenômenos extremos em 2024. Todos tiveram influência clara do aquecimento global. Esses 26 eventos são apenas uma pequena fração dos mais de 200 fenômenos que aconteceram no ano.

 

Em 2024, América Latina e Caribe registraram 100 eventos climáticos extremos. Significa um a cada três dias. Furacões mais intensos atingiram o Caribe e os Estados Unidos. Secas severas afetaram a agricultura em diversos países. Inundações devastaram regiões da Espanha, onde mais de 200 pessoas morreram.

 

TECNOLOGIA E COOPERAÇÃO

A boa notícia é que as soluções existem. Sistemas de monitoramento ficam mais precisos. Modelos climáticos regionais melhoram as previsões. A tecnologia permite avisos com dias de antecedência.

 

A cooperação internacional também avança. Países compartilham experiências e tecnologias. 

 

Empresas investem em infraestrutura resiliente. Comunidades desenvolvem planos de contingência. A sociedade civil se organiza para responder a emergências.

 

O desafio é grande, mas a mobilização cresce. E o investimento em resiliência é o caminho para um futuro mais seguro.

 

Simulado em Santa Catarina. Foto GOVSC

 

O QUE JÁ É FEITO

O Brasil está entre os 10 países com os maiores sistemas de alerta do mundo, segundo o ministério da Integração e Desenvolvimento Regional. O sistema Defesa Civil Alerta manda mensagens por SMS, Telegram e WhatsApp para pessoas em áreas de risco. Desde agosto de 2024, foi usado mais de 400 vezes.

 

O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais monitora 1.133 municípios em tempo real, o que representa 60% da população brasileira. A meta é chegar a 2.095 municípios até 2026, cobrindo 75% da população. É um órgão do governo federal, vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

 

Santa Catarina realizou em maio de 2025 o maior simulado de evacuação da história do país. Foram 260 mil pessoas treinadas em procedimentos de emergência. O estado criou protocolos que agora servem de modelo para outras regiões.

 

A comunicação rápida salva vidas. Cadastros em sistemas de alerta crescem. As pessoas recebem avisos de chuvas intensas, deslizamentos e inundações com antecedência. 

 

O QUE DEVE SER FEITO

A prevenção é a chave. Especialistas destacam que é preciso avançar além da resposta a desastres e investir em planejamento. Significa remodelar as cidades de forma mais resiliente, com infraestrutura verde, sistemas de drenagem eficientes e áreas de preservação.

 

A educação também é fundamental. Crianças e jovens são especialmente vulneráveis. Escolas precisam fazer parte dos programas de adaptação.

 

O financiamento para adaptação continua a avançar. Países em desenvolvimento precisam de US$ 212 bilhões por ano até 2030, segundo a Climate Policy Initiative (CPI), organização internacional de análise e consultoria especializada em finanças climáticas. O fluxo atual é de US$ 63 bilhões. 

 

O investimento em prevenção é muito menor que os prejuízos causados pelos desastres, como explica o climatologista Pedro Fontão, um dos coordenadores do Laboclima, o Laboratório de Climatologia da Universidade Federal do Paraná.

 

“O desafio é justamente prevenir para não ter que remediar. Porque prevenir é muito mais barato. Temos que usar os dados do passado para planejar o presente e o futuro”, diz o climatologista.  

 

0,1°C 

a mais na temperatura global tem potencial de provocar mais de 200 grandes eventos extremos por ano no mundo, segundo o World Weather Attribution 

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