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geração em crise

Ansiedade climática está na pauta do dia dos jovens brasileiros

Pesquisa revela que mais de 80% dos adolescentes no país se preocupam com as mudanças do clima, mas poucos participam de ações para enfrentar a crise

publicado em 24 set 2025

A ansiedade climática já é realidade compartilhada por milhões de jovens ao redor do mundo. 

 

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No Brasil, pesquisa inédita conduzida pelo Centro Internacional de Estudos e Pesquisas sobre a Infância (CIESPI/PUC-Rio) com adolescentes e jovens entre 12 e 18 anos revela um cenário alarmante: 92,5% se dizem preocupados com as mudanças climáticas, e 68,5% relatam sentimentos de ansiedade, medo ou insegurança relacionados ao tema.

 

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Os dados brasileiros ecoam tendências globais identificadas em outros estudos. Uma pesquisa financiada pela plataforma Avaaz em 10 países mostrou que 75% disseram que o futuro é assustador e que a crise do clima afeta a decisão de ter filhos. Ao mesmo tempo, os jovens se veem como cidadãos globais dispostos a defender a cooperação internacional para enfrentar as ameaças. Continue e confira a reportagem completa.

“A falta de cuidado com o meio ambiente afeta todos, principalmente as crianças, que estão começando a crescer e não vão ter um ambiente bom e puro”

| STEPHANI DOS SANTOS, 16 ANOS

 

Clique aqui e veja o vídeo da reportagem

 

O estudo do CIESPI/PUC-Rio, feito em dez capitais brasileiras, ilumina aspectos específicos da realidade nacional. Questionados sobre suas preocupações, mais de 25% dos participantes focaram no futuro e expressaram inquietações sobre, por exemplo, o risco para a vida das pessoas em todo o planeta.

 

A pesquisadora Irene Rizzini, coordenadora do estudo, destaca que a preocupação vai além do individual. “Os jovens compreendem que as mudanças climáticas causam impactos negativos em suas vidas e comunidades, provocando desastres ambientais, além de ansiedade, medo e insegurança”, explica.

 

Clique aqui e acesse o estudo

 

Essa percepção tem respaldo na realidade: 2024 registrou desastres ambientais sem precedentes no Brasil. Secas atingiram o país simultaneamente a incêndios que se espalharam pela Amazônia, Cerrado e Pantanal. O Rio Grande do Sul enfrentou enchentes devastadoras que deixaram milhares de desabrigados.

 

CONHECIMENTO E AÇÃO
O paradoxo é que, apesar da alta preocupação, o conhecimento dos jovens sobre mudanças climáticas permanece superficial. Embora 99,5% tenham ouvido falar do tema, a pesquisa revela lacunas significativas. Apenas 71,5% disseram estar aprendendo sobre o assunto na escola, e muitos não conseguiram especificar o que sabiam além de conceitos básicos como “aquecimento global” e “queimadas”.

 

“Somos feitos no meio ambiente. E tudo está relacionado, unido: as plantas, a água, o ar”
| GUSTAVO LARA DO NASCIMENTO, DE 15 ANOS

 

Mais revelador ainda é o abismo entre preocupação e engajamento coletivo. Enquanto 88% acreditam que algo deve ser feito para diminuir os impactos das mudanças climáticas, apenas 3% participam de alguma iniciativa organizada para enfrentar os danos do aquecimento global. Segundo o estudo, mostra uma lacuna entre reconhecer o problema, desejar uma mudança e se conectar com outras pessoas ou organizações para promover uma transformação.

 

“Os jovens percebem a urgência climática, mas não sabem exatamente o que fazer, como agir”
| JOÃO CARLOS PEREIRA, ENGENHEIRO AMBIENTAL DA VOLVO

 

Para o engenheiro, a solução é coletiva. “É preciso mostrar, instruir os jovens que a saída não é individual para que eles possam se enxergar como cidadãos globais e agir de forma coletiva”.

 


 

Jovens caminham para o plantio de mudas na AV

 

“Raízes do Futuro” desenvolve
consciência ambiental de jovens

 

Para marcar o mês do Meio Ambiente, alunos de projetos sociais da Associação Volvo participaram em junho de ação educativa que conectou teoria ambiental com prática de reflorestamento em área de mata revitalizada.

 

“A intenção foi mostrar como estamos conectados com a natureza e o quanto impactamos o meio com as nossas ações”, explica Marli Bonatti, da área de Responsabilidade Social Corporativa da Associação Volvo.

 

Clique aqui e acesse a reportagem

 


 

ENGAJAMENTO COMO CAMINHO
A necessidade de ação coletiva contrasta com a tendência observada na pesquisa, onde a maioria dos jovens se limita a ações individuais. Dos 72% que disseram fazer algo no dia a dia para preservar o meio ambiente, a grande maioria citou apenas gestos como separação de lixo e economia de água e luz.

 

Fernando Vujanski, de 27 anos, reconhece as limitações e aponta um caminho: “Meio ambiente une questões naturais e sociais que garantem a vida. E não é toda a sociedade que está engajada em soluções para os desafios do clima. Entendo que educação é a solução”, afirma.

 

DESIGUALDADES
A pesquisa também confirma que os jovens brasileiros têm consciência das desigualdades sociais amplificadas pelas mudanças climáticas. Expressivos 88% reconhecem que alguns grupos são mais afetados que outros. Mais de 35% dos participantes identificaram especificamente que “os mais pobres são mais afetados”.

 

Depoimentos coletados revelam essa percepção de forma contundente: “Os jovens com menos dinheiro que vivem em casas, bairros menos estruturados, quando acontece chuva forte, tem desabamento”, disse um dos entrevistados.

 

O PAPEL DAS ESCOLAS
Um dos achados é a inadequação do sistema educacional para lidar com o tema. Mais de 25% dos estudantes consultados afirmaram que não estudam mudanças climáticas nas escolas.

 

Entre os que disseram aprender sobre o tema, 7,5% afirmaram não se lembrar do conteúdo, e 4% sinalizaram que o assunto é tratado de forma superficial.

 

CAMINHOS
Apesar dos desafios, a pesquisa identifica potencial significativo para engajamento. Dos poucos jovens que participam de iniciativas coletivas, todos mencionaram atividades ligadas às escolas e sugerem que as instituições de ensino podem desempenhar papel crucial na mobilização.

 

A literatura científica reforça essa possibilidade ao indicar que uma das formas mais eficazes de reduzir os impactos das mudanças climáticas na saúde mental dos jovens é justamente por meio do engajamento, participação e ação coletiva.

 

 

URGÊNCIA DE UMA GERAÇÃO
Os dados brasileiros se inserem em um contexto global de crescente urgência climática. Com a COP30 próxima e o Brasil como protagonista nas discussões ambientais internacionais, o engajamento dos jovens se torna ainda mais estratégico.

 

A pesquisa do CIESPI/PUC-Rio serve como um alerta: existe uma geração profundamente preocupada com seu futuro, mas que precisa de ferramentas, conhecimento e oportunidades para transformar essa preocupação em ação efetiva.

 

Como conclui o estudo: “Quem melhor do que estes jovens para nos lembrar que herdarão o que deixamos de fazer e que, de fato, não há um planeta B”.

 

O desafio agora é construir pontes entre a ansiedade e a esperança, entre o conhecimento e a ação, para que essa geração possa ser protagonista na construção de um futuro mais sustentável.

 

Como observa João Carlos Mello Pereira, é fundamental que os jovens se enxerguem como “cidadãos globais” capazes de ação coletiva para superar a percepção de que as soluções são apenas individuais.

 

92,5% 

dos jovens se dizem preocupados com as mudanças climáticas, e 68,5% relatam sentimentos de ansiedade, medo ou insegurança, aponta pesquisa do CIESPI/PUC-Rio

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