O Brasil voltou atrás na luta contra o tabagismo. Pela primeira vez desde 2007, o país registrou aumento de fumantes adultos, conforme dados do Ministério da Saúde. O percentual saltou de 9,3% em 2023 para 11,6% em 2024, alta de 25%, o que levou o índice de volta aos patamares de 2012.
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Entre os homens, passou de 11,7% para 13,8%. O aumento foi ainda mais expressivo entre as mulheres: subiu de 7,2% para 9,8%. Especialistas apontam os cigarros eletrônicos como o principal fator responsável pelo retorno ao tabagismo. Mas também a falta de campanhas e o preço baixo do cigarro convencional.
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Continue e confira a reportagem completa, que traz também informações e dicas para parar de fumar.
O país, que se tornou referência mundial no controle do tabaco com a redução de 35% para menos de 10% na prevalência de fumantes desde a década de 1980, enfrenta agora o desafio de uma nova onda impulsionada pelos dispositivos eletrônicos.
A experiência mostra que políticas públicas efetivas podem reverter tendências negativas. Medidas como advertências sanitárias, proibição de fumar em ambientes fechados, campanhas educativas e políticas de preços já demonstraram eficácia no passado. O desafio atual é adaptar essas estratégias à realidade dos novos produtos e ao perfil dos jovens consumidores.
ENTRE OS JOVENS
A venda de cigarros eletrônicos no Brasil é proibida desde 2009, mas circulam amplamente. Atraem especialmente adolescentes e jovens adultos com sabores atrativos e design moderno.
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) de 2019 revelou que mais de 25% dos estudantes do ensino médio já experimentaram cigarros eletrônicos. Entre jovens de 18 a 24 anos, quase 20% afirmaram já ter usado esses dispositivos, enquanto na faixa entre 25 e 34 anos foram cerca de 10% dos entrevistados.
Os cigarros eletrônicos apresentam riscos significativos à saúde. Estudos mostram que contêm pelo menos 80 substâncias químicas perigosas, que incluem metais pesados como níquel, ferro e chumbo.
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O cigarro eletrônico pode ter até seis vezes mais nicotina que um cigarro tradicional”
| ORJANA ARAÚJO FREITAS, PNEUMOLOGISTA
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Além dos cigarros eletrônicos, outros fatores contribuíram para o retrocesso nos números. O cigarro convencional ficou oito anos sem sofrer reajustes de preço.
O enfraquecimento das campanhas de conscientização também é apontado como fator relevante. A falta de campanhas educativas específicas sobre os riscos dos cigarros eletrônicos prejudica principalmente uma nova geração de brasileiros.
CUSTOS
O impacto econômico do tabagismo no Brasil é alto. O país gasta R$ 153,5 bilhões por ano com os danos provocados pelo consumo de cigarro. Deste total, R$ 67,2 bilhões são gastos diretamente com tratamento de doenças relacionadas ao tabaco. E R$ 86,3 bilhões correspondem a custos indiretos como perda de produtividade.
PREVENÇÃO
Parar de fumar requer abordagem multidisciplinar que combine tratamento farmacológico com apoio psicológico profissional.
O suporte comportamental desempenha papel fundamental no processo. As intervenções procuram ajudar o fumante a estabelecer objetivos, construir motivação, reconhecer situações de risco e desenvolver estratégias de enfrentamento.
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Nós temos uma taxa de sucesso de mais de 50%. E se você associar a uma mudança de hábito para um estilo de vida saudável, com boa alimentação e atividade física, a probabilidade de conseguir parar é ainda maior”
| ORJANA ARAÚJO FREITAS, PNEUMOLOGISTA
10 DICAS PARA PARAR DE FUMAR
1 FIXE UMA DATA
Escolha um dia específico para parar de fumar e marque no calendário. Esta data cria um compromisso e permite que você se prepare. Comunique a decisão para familiares e amigos próximos. O apoio social fortalece a determinação.
2 IDENTIFIQUE GATILHOS
Observe os momentos em que sente vontade de fumar. Anote o horário, a situação e a intensidade do desejo. O conhecimento desses padrões ajuda a criar estratégias específicas de enfrentamento.
3 SUBSTITUA O HÁBITO
Mantenha as mãos ocupadas com atividades como escrever, desenhar, apertar uma bolinha antistresse ou brincar com um elástico. Experimente palitos de dente, chicletes sem açúcar ou pequenos lanches saudáveis como cenoura cortada em bastões.
4 RESPIRE
Quando sentir vontade de fumar, faça respirações profundas e lentas. Inspire pelo nariz por 4 segundos, segure por 4 segundos e expire pela boca por 6 segundos. Repita o exercício 5 vezes. Esta técnica reduz a ansiedade e imita o ato de fumar.
5 EVITE SITUAÇÕES DE RISCO
Nos primeiros 30 dias, evite locais e situações que associa ao fumo. Se costuma fumar em bares, prefira outros ambientes sociais. Se fuma após as refeições, levante-se imediatamente da mesa e escove os dentes. A mudança de rotina quebra associações automáticas.
6 CALCULE A ECONOMIA
Faça as contas de quanto gasta mensalmente com cigarros ou cigarros eletrônicos. Guarde esse dinheiro em um local visível e use para algo prazeroso após uma semana, um mês e três meses sem fumar. A recompensa motiva.
7 BUSQUE APOIO PROFISSIONAL
O tratamento combina suporte psicológico com medicamentos quando necessário e mudanças no estilo de vida para hábitos saudáveis, como alimentação e atividade física. A chance de sucesso aumenta três vezes com acompanhamento especializado.
8 USE APPS DE MONITORAMENTO
Baixe aplicativos específicos para cessação do tabagismo que mostram benefícios em tempo real: melhora da respiração, redução do risco cardíaco e economia financeira. O feedback visual e as conquistas por etapas mantêm a motivação alta durante o processo.
9 PREPARE-SE PARA A ABSTINÊNCIA
Nos primeiros dias, é normal sentir irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração e vontade intensa de fumar. Esses sintomas são temporários e diminuem após 72 horas. Mantenha-se hidratado, pratique exercícios leves e durma adequadamente para minimizar o desconforto.
10 APRENDA COM RECAÍDAS
Se voltar a fumar, não veja como fracassado. Analise o que levou à recaída e ajuste a estratégia. Cada tentativa traz conhecimento valioso sobre seus padrões e limites. A maioria das pessoas precisa de várias tentativas antes de conseguir parar definitivamente. Recomece sem culpa ou autocrítica.
Fontes: Ministério da Saúde e Instituto Nacional de Câncer
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