O brasileiro quer mudar. Oito em cada 10 pessoas pretendem adotar mais hábitos sustentáveis em 2026, segundo estudo da Descarbonize Soluções divulgado em novembro de 2025. Destes, 48% já planejam mudanças concretas na rotina. O movimento reflete uma consciência crescente: a humanidade consome hoje 50% a mais do que a capacidade de reposição da Terra. Precisamos de 1,5 planeta para manter os padrões atuais de consumo.
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Os números mostram intenção, mas revelam também um desafio. Pesquisa da Kantar aponta que 87% dos brasileiros querem fazer escolhas mais sustentáveis, porém apenas 35% estão mudando ativamente seu comportamento. O principal obstáculo é o preço: 26% dos entrevistados citam o alto custo dos produtos sustentáveis como barreira.
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A boa notícia é que 81% dos brasileiros já adotam hábitos sustentáveis sempre ou na maioria das vezes, segundo a Confederação Nacional da Indústria. O índice cresceu – em 2022, eram 74%. A pesquisa de 2024 mostra que 88% da população adota com frequência mais de cinco práticas sustentáveis, como evitar jogar lixo nas ruas, reduzir desperdício de água, comida e energia. Continue e confira a reportagem completa sobre consumo consciente.
O transporte aparece em segundo lugar, com 35%, seguido pelo consumo de roupas e acessórios, com 34%.
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Evitar o desperdício de água já faz parte da rotina de 90% dos brasileiros nos últimos seis meses, segundo a CNI. Outros 74% reutilizam água e 89% evitam desperdício de energia. Na reciclagem, 62% separam o lixo sempre ou na maioria das vezes, e 47% fazem a separação de todos os tipos de materiais.
Cada hábito conta. E pequenas decisões cotidianas geram resultados coletivos expressivos.
“Muita gente pensa que pequenas atitudes talvez não sejam grandes coisas. Mas imagine se todo mundo toma um banho um pouco mais curto, fecha a torneira na hora de escovar os dentes, separa o lixo. Se todo mundo faz, o impacto que isso gera no mundo é muito maior”, afirma Beatriz Miara, estagiária da Volvo.
O conceito de pegada ecológica ajuda a entender. A metodologia mede a área de terra e água necessária para produzir os recursos que consumimos e absorver os resíduos que geramos.
O brasileiro médio tem uma pegada de 2,9 a 3,1 hectares globais por pessoa, próximo da média mundial de 2,7 hectares globais.
A questão é que a biocapacidade disponível no planeta é de apenas 1,8 hectare global por pessoa. Com esse padrão, vamos precisar de mais de dois planetas até 2050, alerta a Global Footprint Network.
O GREENWASHING
Nem tudo que se vende como sustentável de fato é. O greenwashing – ou “lavagem verde” – acontece quando empresas promovem uma imagem de responsabilidade ambiental sem práticas reais que a sustentem.
Pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) de 2019 apontou que 48% dos produtos de higiene, limpeza e utilidade doméstica nos supermercados brasileiros praticam greenwashing.
Como identificar o greenwashing? Desconfie de afirmações vagas como “eco-friendly”, “natural” ou “verde” sem comprovação técnica. Selos criados pela própria empresa também são sinal de alerta. Empresas que destacam pequenas iniciativas, mas ignoram impactos maiores, que não revelam composição completa dos produtos ou que fazem promessas sem dados concretos também merecem atenção maior do consumidor.
Busque selos reconhecidos. As certificações confiáveis existem. Por exemplo: o FSC atesta madeira e papel de manejo sustentável. O ISE B3, Índice de Sustentabilidade Empresarial da Bolsa de Valores Brasileira, avalia empresas com práticas socioambientais comprovadas.
ESCOLHAS EFETIVAS
Transformar intenção em mudança real exige foco nas ações que de fato funcionam. A alimentação, prioridade de 58% dos brasileiros para 2026, oferece oportunidades concretas. Reduza o desperdício. E prefira alimentos da estação e produtores locais.
No transporte, combine viagens, use transporte público, compartilhe caronas. Se possível, opte por deslocamentos a pé ou de bicicleta para trajetos curtos. No consumo de energia, desligue aparelhos da tomada quando não usar. Troque lâmpadas por LED. Ajuste a temperatura do ar-condicionado – cada grau a menos aumenta o consumo em até 6%.
A água merece atenção especial. Reutilize a água da máquina de lavar para limpar pisos. Colete água da chuva para regar plantas. Feche a torneira enquanto escova os dentes ou ensaboa a louça. No descarte, separe o lixo para reciclagem. Doe ou conserte produtos antes de descartar.
“A gente leva para casa os valores ambientais da Volvo. É sempre indicado a fazer a separação de lixo, o descarte no lugar correto”, conta Beatriz.
A estagiária explica um detalhe importante: “Com os recicláveis lá em casa, a gente pega tudo que pode ser reciclado e sempre lava antes. Porque se tem algum tipo de alimento, pode juntar bicho, apodrecer e daí acaba não se tornando mais um lixo reciclável”.
VIVA MELHOR COM MENOS
A sustentabilidade não exige sacrifícios, mas escolhas inteligentes. Assim como a Volvo prioriza qualidade, segurança e respeito ao meio ambiente em seus processos, o consumidor pode aplicar esses valores no dia a dia. Produtos de qualidade duram mais e reduzem a necessidade de reposição constante.
“A gente é extremamente incentivado pelos princípios da Volvo, que é a robustez no produto. A partir do momento que você tem um produto robusto, você não precisa de troca constante”, explica Beatriz Miara.
Ela complementa: “Você vai ter um produto que, com o tempo, será até mais barato, porque vai durar anos. Isso também ajuda o meio ambiente, porque não vai ter aquele descarte rápido e a compra de um novo, um ciclo infinito de compra e descarta”.
Compre apenas o necessário. Planeje as compras para evitar desperdício. Prefira embalagens retornáveis ou recicláveis. Conserte em vez de descartar. Doe o que não usa mais. Essas práticas reduzem custos e impactos ambientais ao mesmo tempo.
A economia circular cresce: 69% dos brasileiros reutilizam ou reaproveitam embalagens sempre ou na maioria das vezes, segundo a CNI. Outros 68% reduziram o uso de embalagens. O movimento mostra que é possível manter a mesma qualidade de vida com menos recursos.
“Mesmo que a gente seja uma pessoa, se pensar em todo mundo fazendo um pouco, vai mudar o mundo”
| BEATRIZ MIARA, ESTAGIÁRIA NA VOLVO
Fontes: Descarbonize Soluções (2025), Confederação Nacional da Indústria/CNI (2024), Kantar (2025), Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor/Idec (2019), Global Footprint Network (2023), Ministério da Justiça e Segurança Pública/Senacon (2025)
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